MAUS TRATOS AOS ANIMAIS


MAUS TRATOS AOS ANIMAIS-qualquer cidadão pode fazer a denuncia: CRMV- Unidade Regional do Sul de Minas Gerais. Delegado Dr. Marden. 35/ 3221-5673. Horário: 8 ao meio dia, 13 até 17 h. E-mail: crmvmg.suldeminas@crmvmg.gov.br

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

D



(Dai-nos)


A noite corria pela janela
E os anos pelos meus dedos.
Enquanto milhares
Oravam a Ave Maria,
Eu me prostituía,
Com a cara e coragem...
E amontoava o pão de cada dia.
Profana sacanagem.

Que bobagem!





Deixa


Deixa eu dizer pra você
Do amor que dói no meu peito
Te amo de um jeito,
Que nem sei direito,
Que nem mais é segredo!

Pergunte pro teto do quarto
Que assiste meus olhos parados
Coitados!
Nem brilham mais!
Só quando a vejo passar...

Deixa eu gostar do seu nome,
Já nem sei o meu!
Só suspiro o seu.
Não como, já não tenho fome!
Sêde, só de ti!

Deixa eu ser sua sombra
Seu remanso
Na preguiça, seu balanço!
Na noite, seu ninar...
Deixa eu te amar...



DESVALIA


Quando espiar dentro de mim
E ver assim, alucinado
Tantos gemidos abafados,
Todos seu rosto...
Todos seu gosto...

Vai anoitecer em pleno dia
Em desvalia, um pouco lento.
Vai confundir seus pensamentos,
Todos meu rosto...
Todos meu gosto...

E quando perceber a recaída
Já sem saída, amordaçado
E duplamente enamorados
Os nossos rostos...
Os nossos gostos...

E no adormecer do seu cansaço
Já meio fraco, sentirei
O velho gosto e velarei
Todos seus sonhos...
E todos os meus...



Dia após dia...

Amargo
Sem o ardor dos amantes
Um aceno, uma lágrima, um instante
Mais nada...

Os lençóis em desalinho
O odor de sexo, o ninho
Breves palavras na estante
Adeus...

À Deus ofendeu
Não à mim
Uma ofensa ao dom maior
Imortal amor dos mortais

Nunca mais
Abraços dúbios, beijos em febre
Línguas coladas, pele à pele
O fim...

E o odor de paixão
Esvaiu-se com o vento na cortina
Primeira tristeza de menina
Ou mulher que se perdeu...

Nem braços, nem pernas
Nem sonhos, nem futuro
Como ladrão que escala o muro
Me deixou vazia...

E o amor que um dia
Prometeu ser para sempre
Virou lembrança na mente
Virou de lado, adormeceu...

E a chuva anunciando
Noutro dia, noutro verão
Num amor, numa dor, num sorriso
O prazer de se estar vivo...




Dias iguais

Numa manha de céu aberto
De olhar incerto, de frente ao mar
Estava à toa em meio aos versos
Nem sei ao certo se estava lá.

Ao meio dia veio a garoa
Também à toa molhado o ar
E os versos tolos iam fugindo
Em meio aos pingos, bem devagar.

No fim da tarde, o sol com medo
Dormiu mais cedo, sem reclamar.
Vem noite escura e eu tristonho
Em meio aos sonhos, num lamentar.

Numa manhã, de olhar incerto
Nem sei ao certo, se estava lá.
Estava à toa, em meio aos versos
Em céu aberto, de frente ao mar.

Ao meio dia veio a garoa
Também à toa, molhando o ar.
E os versos tolos iam fugindo
Em meio aos pingos, bem devagar.

No fim da tarde, o sol com medo
Dormiu mais cedo, sem reclamar
Vem mais um dia, tudo de novo
E os versos tolos vão regressar.

 


 

 

DICIONÁRIO DA VIDA

De amor traduzo arma
De belo traduzo bala
Carinho, eu digo crime
Todo culpado, algum redime.
Se vejo casa, outro diz cela
Se vejo luz, outro vê treva
Um céu tá limpo, noutro há névoa
Só querem paz, só fazem guerra.

Ditou palácio, leu padiola
Eu digo livre, ouço gaiola.
Todo punhado é muito pouco
Tudo que é lúcido, é muito louco.
Não tem parada, só tem partida
O fim do fraco, é morte em vida.




DIFERENTE


Mesmo no berço, atraio olhares...
Uns de surpresa,
Outros, carinho
Ou de fascínio.
Atraio olhares...

Sou diferente, atraio olhares...
Alguns de pena
Ou de solidariedade,
Outros de maldade.
Atraio olhares...

Se sou criança, atraio olhares...
Sejam dos filhos,
Sejam dos pais
Ou da cidade.
Atraio olhares...

Adolescente, atraio olhares...
Uns de desejo,
Outros de amor
Ou caridade.
Atraio olhares...

E quando homem, atraio olhares...
Um no espelho
Reflete e diz:
Eu sou feliz!
Atraio olhares...




DONA SOLIDÃO

Lá no fim daquela rua
Mora alguém que ninguém vê
Uma moça diferente
Que se fecha humildemente
Não sei porque

Alguns dizem que essa moça
É assim por vocação
O olhar tão recatado
O sorriso apagado
Mas não sei, não...

Sei que sofre, sofro com ela.
Sei que chora, triste fico.
É a moça da janela
A Carolina do Chico.

Lá no fim daquela rua
Mora dona solidão
Uma moça diferente
Que roubou humildemente
Meu coração.
 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Política de moderação de comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência.

EPTV SUL DE MINAS