MAUS TRATOS AOS ANIMAIS


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sábado, 29 de dezembro de 2012

003 - O preconceito das ruas





 A palavra “preconceito” tem como significado uma opinião ou um conceito formados por antecipação, geralmente com precipitação, destituídos de análise mais profunda ou conhecimento de determinado assunto, sem levar em consideração suficientes argumentos contrários e favoráveis sem a suficiente e necessária reflexão. Quando trabalhei nas ruas senti isso na pele.
 Para a maioria das pessoas o trabalho de CARTEIRO é sinônimo de subemprego. Imagine então como foi para essas mesmas pessoas dar de cara com uma mulher, “sexo frágil”, fazendo esse serviço?  Alguns homens falavam idiotices, poucos, porém marcantes pela grosseria; outros se mostravam surpresos e vinham jogar conversa fora; mulheres olhavam com desdém, outras com pena e uma grande porcentagem de pessoas, admiradas.
Eu era convidada a entrar nas casas, tomar café, água, ganhava refrigerante, palavras de incentivo etc.. Na época do Natal ou Páscoa reservavam gorjetas, vinhos, chocolates etc.. Muitas pessoas se mostram solidárias e parece que se compadecem com as mulheres bem mais nessas situações, por trabalharem embaixo de sol, chuva e todo tipo de intempéries.
Bom, existe o outro lado. Pessoas que olham para você de cima para baixo, arrogantes, menosprezando CARTEIROS, LEITORES DA CEMIG, COPASA, VENDEDORES AMBULANTES etc., como se fossem pessoas diferentes, de outro nível social. Tratavam-me com tamanho desprezo que dava vontade de desistir!  Muitas vezes me peguei pensando o porquê de existir essa discriminação. Eu podia ter estudo, educação, faculdade, uma boa casa, família estruturada, porém para elas eu era de uma espécie de submundo. Hoje em dia eu vejo esse mesmo tratamento ser dado aos catadores de latinhas. Tratam esses trabalhadores como escória da sociedade, comparando-os a mendigos, sendo que mesmo esses deveriam ser mais respeitados, afinal estão nessa situação por pura falta de oportunidade e assistência do poder público.
Por último, não poderia deixar de registrar o grande amigo dos CARTEIROS, os cães. Acho que se eu não tivesse passado por isso não acreditaria em tamanha perseguição. O CARTEIRO, para os cães de qualquer cidade, é visto como um “petisco” ou uma “diversão”, um “exercício rotineiro”, sei lá. O fato é que comprovei que cachorro não odeia carteiro, assim como odeia os gatos, ele apenas se diverte com eles. Talvez por aquela camisa amarela que dói os olhos ou simplesmente por condicionamento, o CARTEIRO passa sempre no mesmo horário por um determinado local, sei que eles esperam e se divertem correndo atrás da gente. Eu sempre fui amiga dos animais, por isso acabava agradando um aqui e outro ali, fazendo com que abanassem o rabo contentes. Mas bastava eu passar perto deles no dia seguinte para começar de novo a correria, era pura diversão para eles e terror para mim. De qualquer forma, tirando uma porcentagem de senhoras e senhores educadíssimos, que me tratava com respeito e dignidade, acho que os cães eram os amigos mais sinceros, nos nove meses que trabalhei nas ruas, apesar das correrias e mordidas.
O fato é que o tratamento que me era dado, desde o primeiro dia que saí às ruas, foi mudando aos poucos e oito meses depois eu já me sentia bem mais aceita e com mais ânimo para continuar na busca de meus propósitos dentro da EBCT.

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