MAUS TRATOS AOS ANIMAIS


MAUS TRATOS AOS ANIMAIS-qualquer cidadão pode fazer a denuncia: CRMV- Unidade Regional do Sul de Minas Gerais. Delegado Dr. Marden. 35/ 3221-5673. Horário: 8 ao meio dia, 13 até 17 h. E-mail: crmvmg.suldeminas@crmvmg.gov.br

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Meu primeiro dia – julho/1994





 Quando cheguei a Agencia de Correios para meu primeiro dia de trabalho fui informada de que seria CARTEIRO e que nenhuma regalia me seria dada pelo fato de ser mulher. Não tive integração, apenas fui designada a aprender o ofício com um colega e a chefia ficaria a disposição para qualquer dúvida.
Descobri que umas duas ou três mulheres já haviam tentado trabalhar nas ruas, mas que, “a que mais agüentou” ( expressão de um colega), ficou apenas dois meses e não conseguiu aprender.
O CARTEIRO tinha que carregar uma bolsa de 13 kg de correspondências (que na época abrangia revistas) e a carga que ultrapassasse era levada até um ponto estratégico onde pegava durante o dia de trabalho. Não vou mentir, era muito pesado, o setor designado era enorme. Às vezes eu percorria quilômetros e quando chegava o final do dia nem metade da carga havia sido entregue.
A Empresa de Correios estava inovando para se igualar a várias outras empresas públicas, na contratação de mulheres. Porém, o que me surpreendeu, é que contratavam apenas. Nada mudava para receber essas moças. Se um homem carregava um determinado peso, a mulher era designada para o mesmo. Isso, de acordo com a chefia, era “igualdade”.
De manhã encostava um caminhão em frente à agência e todos os CARTEIROS, inclusive eu, saiam para descarregar. Os homens eram orientados a tratar a gente como igual. Muitas vezes o peso era absurdo, porém eu não reclamava, tampouco dava mostras de que estaria no limite. Lembro uma vez que o chefe disse: “Ora, parece cansada! Vocês não querem igualdade?”.
Eu ajudei a descarregar o caminhão por sete dias contados nos dedos. Eu sabia que isso não ia durar. As pessoas que passavam pela avenida paravam para ver. Eu era a mais nova atração da cidade, porém, muitas pessoas eram mais velhas e faziam comentários do tipo “que maldade”, “que falta de preparo da EBCT”, “onde já se viu tamanho abuso”, e tantos outros. Eu sabia que estavam denunciando e uma semana depois veio à ordem de cima: Era proibido mulher nas descarga.
 Lembro até hoje de um comentário sobre minha bolsa ter voltado cheia no final do dia. Meu chefe me olhou e disse: “Foi você que quis esse trabalho, poderia estar agora pilotando um fogão, mas não...”
Vieram autoridades da Regional a fim de orientar a chefia quanto às adequações para manter uma pessoa do sexo feminino. Colocaram vários colegas para me ajudar no setor, enquanto não refaziam os percursos. Um dia um chefe me perguntou: “Você não vai mesmo desistir?”.
Eu disse: NUNCA.
Nas ruas a discriminação era evidente, porém a maior parte das pessoas eram solidárias. Muitas ficavam preocupadas me oferecendo café, almoço e até um sofá para descansar. Claro que eu recusava,  gentilmente, eu estava trabalhando. As pessoas também estavam se adaptando, como eu. Já alguns mais retrógados diziam coisas como “essa é boa”, “mulher metida a fazer coisa de homem”, “deve ser sapata” e outras coisas ruins. Eu sempre fui uma pessoa teimosa! Aprendi que quando quero algo tenho que lutar. Nada que vem fácil perdura. Eu venci os preconceitos! Venci todos!
Daí veio a surpresa, eu havia sido promovida a CARTEIRO na carteira profissional. Nascia em Pouso Alegre a primeira “ CARTEIRO” do sexo feminino.
Eu trabalhava de camiseta amarela, porém de calça jeans, pois não existia calça de uniforme feminina. A EBCT me mandou um vale para comprar mais roupas e economizar as minhas.
Eu questionava mentalmente como seria possível a promoção. Eu era concursada ATENDENTE COMERCIAL e ganhava um salário X, como CARTEIRO mudava a função, porém o salário tinha um aumento mínimo. E também nunca se havia visto um ATENDENTE querer mudar para CARTEIRO, somente o contrário. Era claro que tentavam encobrir o desvio de função. Isso devia ser comum,  pois o sindicato entrou com um processo coletivo a fim de colocar as pessoas nos seus devidos lugares.
Trabalhei nas ruas durante nove meses. A população já se acostumara a até já existiam novas CARTEIROS mulheres. Todas me tratavam como a “pioneira”.
Recebi  a notícia que seria novamente promovida. Dessa vez continuaria como CARTEIRO na carteira profissional, porém ia assumir a gerência de uma agência pequena na região. Fui transferida para Cachoeira de Minas. Loucura total!  
Mas isso continua em breve...


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